Conheça a história do deficiente visual que sonha em participar de uma Paraolimpíada

Foto: Divulgação

Trajano Neto já participou do evento Ted-X em Castro-PR, onde contou sua trajetória de vida, além de competições no Rio de Janeiro e outras cidades.

Da redação/Claudio Lima

Trajano Ferreira Caldas Neto tem 33 anos, nasceu na cidade de Guarapuava. Seu pai é trabalhador da Construção Civil, já a mãe atuava na área hospitalar do interior do Estado.

Mudou-se para Ponta Grossa em 2001, quando já tinha 15 anos. Começou sua carreira profissional, como garçom. “Eu precisava me sustentar”, afirmou. Muito jovem apaixonou-se por Gisele Aparecida Marques e casou-se com 17 anos. A vida foi passando e muito cedo ele sofre uma das maiores percas de sua vida, Gisele sofre acidente e perde a vida, com ela estava filha do casal que tinha 4 meses de vida, a pequena Nicole que saiu ilesa.

Alguns anos depois Trajano casou-se novamente e teve sua 2ª filha, Ketlin Neto hoje com 11 anos.

Trajano destaca que sempre foi empreendedor, e decidiu abrir uma empresa na área de construção civil, foi um momento “mágico”, destaca. “Fechei muitos contratos, com isso veio uma série de compromissos e tarefas”, disse ele.

Na agitação do dia a dia de um Empresário, Trajano chega em casa com um “turbilhão” na cabeça. Estresse, agenda e cobranças porém precisa descansar, para enfrentar mais um dia de trabalho. Naquela noite mais uma grande perca.

É abril de 2014, Trajano acorda sem enxergar do olho esquerdo. Foi uma correria atrás de médicos em Ponta Grossa e Curitiba, na tentativa de diagnosticar o problema. Sem êxito, Trajano ficou cego de um olho.

A vida seguiu, dividido no trabalho intenso da construção civil e médicos.

Em 2015 mais uma surpresa, a mudança trágica na vida do jovem. Com 28 anos Trajano perde a visão do olho direito e fica totalmente cego.

Novamente a família corria contra o tempo em busca de uma solução. Segundo Trajano os melhores médicos analisaram o caso, que até hoje não teve um diagnóstico. “Eu não tenho resposta alguma da medicina, vivo uma dúvida diária do por que fiquei cego”, disse.

Mudança de vida

Quando perdeu totalmente a visão, Trajano achou que era um ponto final, e precisaria largar tudo. Ficou 8 meses refletindo até encontrar a Associação de Pais e Amigos do Deficiente Visual (APADEVI) no ano de 2016.

A instituição fica em Ponta Grossa e é referência na região relacionado ao atendimento do cego e baixa visão. Professores e uma grande equipe técnica, realizam o trabalho em diversas áreas para inserção do cego na sociedade, possibilitando uma vida digna com o direito de ir e vir para onde quiser.

Quando chegou Trajano começou a realizar atividades oferecidas, começou a estudar o Braille (Sistema de letras em relevo que permite que o cego possa ler) , além de atividades ligadas a área da tecnologia, acesso a internet, digitação, através das aulas de informática. Já com outros profissionais praticava atividade de vida diária (Avas, onde o cego aprende a escovar os dentes, se alimentar, dobrar uma roupa e outros). Com o passar dos dias participando das atividades na instituição, Trajano conheceu o setor que mudou sua história e sonhos, é o esporte adaptado.

Após essa fase mais uma grande mudança, Trajano se descobriu e apaixonou-se pelo esporte adaptado. “O esporte mudou a minha vida, ele foi impulso para confirmar que eu posso cada vez mais”.

Treinando durante 5 meses na instrução Trajano se destacou e logo um convite do Professor, para que ele participasse de uma competição no Rio de Janeiro.

“Foi uma das maiores emoções, participei da minha primeira competição ao lado de grandes nomes do mais alto escalão do Esporte Adaptado”. Ele competiu pelo lançamento de dardo, peso e corrida de 100m.

Neste 1º Campeonato ele conquistou o 3º lugar no lançamento de dardo, e trouxe o título para Ponta Grossa.

Em seguida Trajano participou de outros campeonatos, 2 em Curitiba, 2 em Ponta Grossa e 1 em Londrina. Segundo ele teve quebra de Record em 2019 com 7 títulos Ouro, “sou orgulho para meus filhos”, disse.

Família e Estudos

Trajano leva uma vida normal, vive sozinho em casa no bairro de Olarias. Tem uma rotina bastante agitada, acorda as 6h da manhã, prepara o café e segue para sua 1ª atividade na APADEVI. Na parte da tarde treina em uma academia no bairro de Uvaranas e a noite faz Faculdade em Oficinas. Ele está no 1º ano da graduação em Administração.

De segunda a sexta é essa correria, segundo ele finais de semana organiza a casa, e passa um tempo com os filhos. “Meus filhos amam ficar comigo, faço comida para eles e se divertimos bastante”, disse.

Trajano contou que tudo é aliado as novas tecnologias. O celular é seu parceiro para tudo onde consegue fazer atividades da Faculdade, e interagir com os amigos e família.

Ao longo da vida Trajano teve outros relacionamentos ele é pai de 5 filhos.

Nicole é a mais velha, sua 1ª filha, sobrevivente do acidente tem 14 anos, Ketelin do 2º relacionamento 11 anos, Trajano 10 anos, Kauan 10 anos e o Beijamim caçula com 10 meses.

Acessibilidade em Ponta Grossa

O Atleta criticou a acessibilidade na cidade, segundo ele existem poucas ruas com acessíveis, “eu quero em todas”, afirmou. Trajano criticou e fez apelo aos governantes. “Acessibilidade é pouco divulgado para as pessoas, já temos uma acesso reduzido, em alguns pontos é zero e ainda não há campanhas para reforçar, como o cidadão pode auxiliar um deficiente”, apelou. Trajano afirmou ainda que, “algumas pessoas não sabem como ajudar um cego atravessar a rua, como auxiliar de forma positiva no momento de uma necessidade, isso doí, é desagradável, não só a minha deficiência, mas todas as demais”, declarou.

Segundo o atleta Uberlândia no Estado de Minas Gerais é a cidade exemplo nesta questão.

Sonho

“Cego, morar sozinho fazer todas atividades que eu faço é um desafio. Optei pela faculdade presencial por uma escolha minha. Uso transporte Público e sou feliz assim. Sonho em participar de campeonatos Mundiais como uma Paraolimpíada e conquistar mais títulos”, finaliza.

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